A IA chegou de vez ao RAD Studio
A inteligência artificial já faz parte da rotina de muitos programadores. Ela ajuda a escrever código, explicar erros, sugerir melhorias e acelerar tarefas repetitivas.
Mas, para quem trabalha com Delphi, essa experiência ainda dependia muito de ferramentas externas: copiar código, colar em um chat, explicar o contexto, testar a resposta na IDE e ajustar manualmente.
Com o KAi, a Embarcadero tenta trazer essa experiência para dentro do RAD Studio.
A proposta é integrar IA ao fluxo real de desenvolvimento em Delphi e C++Builder, permitindo que o programador receba sugestões, gere código, trabalhe com telas, analise erros de compilação e avance no projeto sem sair da IDE.
É um passo importante porque coloca o Delphi de forma mais clara na era da programação assistida por IA.
O que é o KAi
O KAi é uma ferramenta de inteligência artificial criada pela Embarcadero para funcionar integrada ao RAD Studio, Delphi e C++Builder.
Na prática, ele atua como um assistente dentro da IDE, ajudando o programador a escrever código, receber sugestões, criar partes da interface, analisar erros de compilação e até aplicar correções no projeto.
A grande diferença é que o KAi não trabalha isolado. Ele usa o contexto do projeto aberto no RAD Studio, o que torna suas respostas mais úteis do que uma IA genérica usada fora da IDE.
A página oficial da ferramenta é essa aqui: https://www.embarcadero.com/products/rad-studio/kai

Não é apenas autocomplete
Quando falamos em IA para programação, muita gente pensa apenas em autocomplete: você começa a digitar e a ferramenta tenta completar o código.
O KAi vai além disso.
Ele oferece sugestões inline no editor, pode exibir opções dentro do CodeInsight, gerar blocos maiores de código e também atuar por meio de um chat integrado ao RAD Studio.
Esse chat é um dos pontos mais interessantes, porque não serve apenas para responder perguntas. Ele pode analisar o projeto, sugerir alterações, modificar arquivos, trabalhar com telas e até ajudar a corrigir erros encontrados durante a compilação.
Ou seja, o KAi não é só uma ferramenta para “terminar a linha de código”. A proposta é atuar como um assistente mais completo dentro do processo de desenvolvimento.

O grande diferencial: IA dentro da IDE
O maior diferencial do KAi não é apenas usar inteligência artificial, mas usar IA dentro do próprio RAD Studio.
Isso muda bastante a experiência.
Em vez de sair da IDE, abrir uma ferramenta externa, copiar trechos de código e explicar manualmente o contexto, o programador pode trabalhar com a IA no mesmo ambiente onde já desenvolve seus projetos Delphi e C++Builder.
O KAi consegue considerar o projeto aberto, os arquivos, o editor, o designer visual e até o resultado da compilação.
Na prática, isso torna a IA mais útil para o dia a dia real do desenvolvedor, porque ela não está olhando apenas para um pedaço solto de código. Ela está integrada ao ambiente onde a aplicação está sendo construída.

KAi mexe em código e também em interface visual
Um ponto muito interessante do KAi é que ele não trabalha apenas com código-fonte.
Como ele está integrado ao RAD Studio, também pode interagir com o designer visual da aplicação. Isso significa que ele pode ajudar a criar ou modificar telas em projetos VCL e FireMonkey.
Na prática, o desenvolvedor pode pedir para o KAi adicionar componentes em um form, criar botões, configurar eventos e gerar parte da lógica necessária para aquela interface funcionar.
Esse é um diferencial importante para quem trabalha com Delphi, porque boa parte do desenvolvimento acontece justamente na combinação entre código, componentes visuais e eventos.

Agente que compila e corrige erros
Outro recurso importante do KAi é a capacidade de atuar sobre o ciclo de compilação.
Ele pode compilar o projeto, analisar as mensagens retornadas pelo compilador e tentar corrigir os erros encontrados no código.
Isso é bem diferente de apenas pedir ajuda para uma IA externa. Como o KAi está integrado ao RAD Studio, ele consegue olhar para o contexto do projeto e para o erro real gerado pela IDE.
Na prática, isso pode economizar tempo em situações comuns do dia a dia: referências incorretas, units faltando, nomes de variáveis errados, ajustes em código recém-gerado e outros problemas simples que normalmente quebram a compilação.
Claro que isso não elimina a necessidade de revisão do programador. Mas transforma a IA em uma ferramenta mais ativa dentro do processo de desenvolvimento.

Modernização de sistemas Delphi legados
Um dos usos mais interessantes do KAi está na modernização de aplicações existentes.
Quem trabalha com Delphi sabe que existem muitos sistemas importantes rodando há anos, muitas vezes com código antigo, telas grandes, regras de negócio espalhadas e pouca documentação.
Nesses casos, a IA pode ajudar a entender trechos de código, sugerir refatorações, melhorar rotinas, atualizar padrões e até apoiar pequenas mudanças na interface.
O ponto principal é que o KAi não exige abandonar o projeto atual. A ideia é ajudar o desenvolvedor a evoluir a aplicação dentro do próprio RAD Studio, aproveitando a base existente.
Para empresas e programadores que mantêm sistemas Delphi legados, esse talvez seja um dos maiores atrativos da ferramenta.
Escolha do modelo de IA
Outro ponto forte do KAi é que ele não prende o desenvolvedor a um único fornecedor de inteligência artificial.
A ferramenta permite trabalhar com diferentes provedores e modelos, incluindo opções em nuvem e também modelos locais. Isso abre espaço para usar serviços como GitHub Copilot, OpenAI, Claude, Gemini, Ollama ou LM Studio, dependendo da configuração escolhida.
Essa flexibilidade é importante porque cada modelo pode ter vantagens diferentes. Alguns podem ser melhores para geração de código, outros para análise, outros para velocidade, custo ou privacidade.
Na prática, o desenvolvedor pode escolher o caminho que faz mais sentido para o seu ambiente, seu orçamento e suas exigências de segurança.

Privacidade e modelos locais
Quando falamos em IA aplicada ao desenvolvimento, privacidade é um ponto crítico.
Muitas empresas não querem enviar código-fonte, regras de negócio ou informações internas para serviços externos sem controle. Isso é ainda mais sensível em sistemas corporativos, legados ou com dados estratégicos.
Nesse ponto, o KAi chama atenção por permitir o uso de modelos locais, como Ollama e LM Studio.
Com essa abordagem, o desenvolvedor pode executar modelos de IA na própria máquina ou dentro da rede da empresa, reduzindo a exposição do código para ambientes externos.
Além disso, a Embarcadero destaca que o KAi não depende de um proxy obrigatório passando pelos servidores dela. Ou seja, o desenvolvedor tem mais controle sobre qual provedor usar e por onde as informações trafegam.
Para equipes que trabalham com sistemas sensíveis, esse pode ser um argumento decisivo.

Delphi, C++Builder, VCL e FireMonkey
O KAi foi apresentado como uma ferramenta para desenvolvedores Delphi e C++Builder dentro do RAD Studio.
Isso significa que ele não fica limitado apenas a um tipo de projeto. A proposta é funcionar tanto em aplicações VCL quanto em projetos FireMonkey.
Esse ponto é importante porque o ecossistema RAD Studio atende cenários diferentes: sistemas desktop tradicionais, aplicações modernas, projetos multi-device e bases de código em Delphi ou C++.
Na prática, o KAi tenta acompanhar essa diversidade, ajudando o desenvolvedor independentemente da linguagem ou framework visual usado dentro do RAD Studio.
Limitações e visão realista
Apesar de todos os recursos, é importante olhar para o KAi com equilíbrio.
Ele pode acelerar o desenvolvimento, sugerir código, criar telas, corrigir erros e ajudar na modernização de projetos. Mas isso não significa que o programador possa simplesmente aceitar tudo sem revisar.
Como qualquer ferramenta de IA, o KAi pode gerar código que compila, mas não segue exatamente a arquitetura do projeto. Pode escolher uma biblioteca que você não quer usar, sugerir uma solução mais complexa do que o necessário ou interpretar errado uma regra de negócio.
Por isso, o papel do desenvolvedor continua sendo essencial.
A IA entra como apoio para ganhar velocidade, reduzir trabalho repetitivo e sugerir caminhos. Mas a responsabilidade técnica, a revisão do código e as decisões de arquitetura continuam nas mãos do programador.
Licença, trial e disponibilidade
O KAi será disponibilizado como um add-on para usuários do RAD Studio, Delphi e C++Builder.
Segundo a apresentação da Embarcadero, a ferramenta terá um trial funcional de 30 dias, permitindo testar os recursos antes da contratação.
Para quem já usa RAD Studio 12 ou 13, a instalação poderá ser feita pelo GetIt ou pelo portal do cliente da Embarcadero, com ativação por meio de uma chave de licença.
A Embarcadero também apresentou o KAi como uma assinatura anual separada, com preço informado de US$ 249 por ano. Esse valor é o mesmo para as edições Professional, Enterprise e Architect.
Um ponto importante é que o KAi exige manutenção e suporte ativos. Para novos clientes, ele poderá ser adquirido junto com uma nova licença do RAD Studio.
Na prática, a Embarcadero está tratando o KAi como uma camada adicional e evolutiva de IA dentro do ecossistema RAD Studio, com atualizações frequentes acompanhando as mudanças rápidas do mercado de inteligência artificial.
O que isso significa para o futuro do Delphi
O lançamento do KAi mostra que a Embarcadero está tentando reposicionar o RAD Studio para uma nova fase do desenvolvimento de software.
Durante muito tempo, uma das críticas ao Delphi foi a sensação de que o ecossistema estava distante das grandes ondas de inovação. Com a chegada da IA integrada à IDE, esse cenário começa a mudar.
O ponto mais importante não é apenas gerar código mais rápido. O impacto real está em permitir que desenvolvedores Delphi usem IA dentro dos seus projetos reais, com seus forms, units, componentes, mensagens de compilação e código legado.
Isso pode ser especialmente relevante para empresas que possuem sistemas grandes, antigos e difíceis de modernizar.
Na minha visão, o KAi não resolve todos os desafios do Delphi, mas aponta uma direção importante: o futuro da ferramenta passa por manter sua força no desenvolvimento visual e produtivo, agora combinada com assistência inteligente dentro da própria IDE.
Para quem trabalha com Delphi, vale acompanhar de perto.
Mais conteúdos sobre Delphi no Youtube
Se você trabalha com Delphi ou quer aprender mais sobre desenvolvimento com RAD Studio, VCL, FireMonkey, banco de dados, APIs e modernização de sistemas, acompanhe também meu canal no YouTube.
Lá eu compartilho conteúdos práticos para programadores Delphi, sempre com foco em aplicações reais e no dia a dia de quem desenvolve software.
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